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Palavra dos professores

O Professor reflexivo

Para falar do professor reflexivo, precisamos entender que a introspecção é a única forma de proporcionar, a cada um, as condições necessárias à análise do seu próprio grau de amadurecimento e de comprometimento. Reflexibilidade é uma arte que deve estar incutida no ser humano e, independente de seu querer, fazer parte da sua responsabilidade como cidadão que quer transformar o mundo. Sabemos que a educação não é o instrumento que irá modificar as coisas e proporcionar um novo modelo de mundo. É tão-somente, um recurso próprio para forjar indivíduos capazes, prontos a decidir e optar por uma nova concepção de sociedade.

(...) É desejável  e necessário, porém difícil, que tenhamos professores reflexivos; e essa dificuldade reside na acomodação de muitas pessoas, incapazes de saírem do conforto proporcionado pelas coisas sempre iguais. Essa postura não cria condições para que ocorram mudanças urgentes em benefício da Educação, e ainda contribui para que não haja vontade de mudar, porque isso exige adaptar-se ao novo, a adotar novas posturas que levarão à construção da autonomia, tanto do professor quanto do aluno. Muitos professores utilizam-se da desculpa de que as mudanças são tolhidas pela burocracia, mais uma prova da incompetência daqueles que estão satisfeitos com as coisas da maneira que acontecem e não se sentem dispostos a contribuir para melhorá-las, pois isso exige comprometimento, envolvimento, inovação, ou, em resumo, trabalho.

Ninguém é obrigado a se fazer reflexivo e muito menos a transformar-se. Mas agir com profissionalismo e dedicar-se com afinco à formação de indivíduos capazes é o mínimo que se pode exigir de um profissional da área da
Educação. Se cada um se sentir movido pelo desejo de melhorar e contribuir para transformar as coisas que aí estão, estará servindo de estímulo para outros e necessitará munir-se de muito entusiasmo, pois é um processo lento e constante que irá se estender por toda sua vida profissional, já que "a formação é um fazer permanente". (FREIRE, 1972, apud ALARCÃO, 1996). Memoriais: "escritas reflexivas sobre si"

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito, nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do instante que passa. (Mário Quintana).

A produção de Memoriais na formação continuada da docência  permite que aquele que escreve reconheça o seu “saber que sabe”, isto é, a percepção crítica das possibilidades, limites, implicações e compromissos. Nesse sentido, quando tomamos consciência desse “saber que sabe” já não poderemos recusar-nos em tomar posição diante da realidade. E se consideramos que o desenvolvimento pessoal e profissional são processos inter-relacionados, a escrita de memoriais nos processos formativos representa uma atividade privilegiada, porque potencializadora do conhecimento de si e do outro, da própria vida e do próprio trabalho.

Em outras palavras, a escrita autobiográfica – através do exercício de escrita de um memorial - tem reforçado que o registro de nossas lembranças e reminiscências mais significativas se faz importante pela possibilidade que inaugura de darmos sentido à nossa trajetória e projetarmos uma direção ao que ainda pretendemos construir e experimentar como aprendentes e mestres.

Foi neste contexto que nesta ano(2012) os professores do Imaco foram motivados e desafiados a usarem a escrita de memoriais como importante ferramenta para a sua própria formação enquanto professor reflexivo. Abaixo, alguma reflexões:

Profª Hofélia

A tecnologia a serviço da educação: é hora de assumir essa mudança

Somos contemporâneos de uma das mais recentes fases da chamada Revolução Industrial, a Revolução Técnico Científica e Informacional. E como é pertinente aos processos evolutivos atravessamos um período de transição, no qual as rupturas são perceptíveis.

Tais rupturas se aplicam a mentalidade, tomadas de decisão, ações e resultados, questões observadas nas mais diversas esferas da sociedade pós-moderna. Entretanto é plausível considerar que o ambiente escolar parece destoar a essa tendência de inovação, mobilidade e transformação.

Nossos alunos têm sua vida social fora do ambiente escolar permeada por recursos tecnológicos, independente de seu nível sociocultural. A televisão, o DVD, computador com acesso a internet, celulares, tabletes e outras parafernálias tecnológicas são manuseadas pela chamada "geração Y" com um mínimo de esforço.

Em contrapartida, no principal ambiente de construção sistemática de aprendizagem o aluno se depara com instrumentos obsoletos, como giz. Lousa e livro didático. Deste modo o professor acaba perdendo espaço para instrumentos mais dinâmicos de acesso ao conhecimento.

O que fazer diante disso? Substituir o professor pela máquina? Distribuir computadores aos alunos e abolir cadernos, lápis e livros? Cremos que não há necessidade de se adotar medidas tão radicais.

É preciso aceitar as transformações pertinentes a nossa contemporaneidade, adotar metodologias dinâmicas, que permitam ao aluno construir sua aprendizagem de forma dialógica, sempre lembrando que o professor enquanto mediador de conhecimento não será jamais substituído pela máquina, porém sem assumir uma postura adequada frente a essas transformações este poderá também se tornar "instrumento obsoleto".

Não se trata aqui de utilizar esses recursos como um fim em sua prática, mas como um meio, e aos poucos iremos perceber que a tecnologia estará tão presente em nossas aulas que seu uso não chamará mais atenção que o conteúdo o qual estamos trabalhando.

Professora  Rosana de Freitas
Lic. em História
Cursando Lic. Em Geografia



Geografia da disposição, da relação. Para mim, ser professor é uma escolha.Como professora de literatura  e língua portuguesa, acredito que  o sentido fundamental do estudo da língua e da literatura, está em levar o aluno a desfrutar do incomparável prazer da contemplação, da fruição estética, da leitura, e, através dela, crescer enquanto pessoa, compreender melhor o homem, a si próprio e ao outro, sua relação com o mundo, a dolorosa provocação da alteridade.

O grande educador francês Michel Quoist dizia que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus. Educar é colaborar com Deus”. O jovem e frágil aluno de hoje será o condutor da nação amanhã; o que for semeado hoje no seu coração, na sua mente e no seu espírito, será colhido amanhã pela sociedade. Daí a grande tarefa e enorme responsabilidade do professor, em qualquer nível.

Não há dúvida de que no rol das profissões, a de professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar diretamente com a mais nobre realidade do mundo: o coração, a inteligência e alma do ser humano.

Ghandi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa”. É como fazia Michelangelo com a pedra. Certo dia, ele viu um bloco de mármore e disse a seus alunos: “Aí dentro há um anjo, vamos colocá-lo para fora!”. Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, um anjo surgiu da pedra. Então os discípulos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “O anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Educar é isso, é ir com paciência e perícia, sabedoria e bondade, retirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça em cada aluno.

Pensar no que representa ser professor é pensar na minha vida, com toda a intensidade, todo o afeto e todo o carinho que sinto por ser esse habitante da educação,mesmo tendo que as vezes brigar,falar alto ou até mesmo chamar a atenção dos alunos ,amo o que faço e também a quem faço,afinal eles(as),alunos fazem parte da minha história.

Fernanda Alvim
Graduada em Letras e Pós Graduada em Sup. Escolar


Meu nome é Deisi Kerlin Berton, sou professora da turma de educação infantil jardim I,  graduada  e pós graduada nesta área. Adoro trabalhar com os pequenos, tive várias experiências em outras áreas, mas nenhuma me satisfaz tanto quanto a educação infantil, sou apaixonada pelo  que faço!

Com os meus pequenos procuro sempre trabalhar o que lhes chama a atenção, o que faz com que procurem ir à escola todos os dias e aprendam a ser criativos e ativos nas atividades e brincadeiras diárias.

Gosto de ver em seus olhos a satisfação de um objetivo alcançado, de uma tarefa bem realizada e uma dificuldade sanada.

Todos os anos, fico na expectativa de como será a nova turminha, imagino como são seus rostinhos e como será sua adaptação na escola. Acho que por pensar positivamente as crianças se adaptam com facilidade e assim este processo que para muitos outros professores acaba sendo difícil em minha sala acontece de forma mais prazerosa possível.

Após a adaptação iniciam-se os projetos, fico contrariada quando ouço falar que jardim I só brinca, não precisa ter cobrança e atividades. Mas é por meio de brincadeiras que meus alunos aprendem, se vamos trabalhar noções espaciais, por que não brincar no pátio da escola de andar para frente, jogar a bola para cima, encher o copo de água e ver que ele esta cheio e logo vazio.

Vou relatar um dos projetos que trabalhei este ano com os meus alunos. Projeto de leitura que tem como titulo “ Quem conta um conto aumenta um ponto”, acredito que a criança aprende através das pessoas que as cerca, se o adulto não possui o hábito de sentar e ler, seja jornal, revista ou um bom livro, com certeza esta também não apreciará a leitura quando crescer. E pensando assim realizamos na escola o projeto de leitura. Onde pais, professora e alunos apreciam as mais belas histórias e assim contam ao grande grupo na sala.

Acredito que a história seja o mais importante alimento da imaginação, que as crianças possuem em seu mundo, povoado de fantasias e de sonhos, mas convivem conosco, dividindo este mundo cheio de realidade  adultas que nem sempre elas podem entender, e assim a hora da história possibilita que vivemos a fantasia com a realidade.

ANTUNES & CAVACANTI (6,P114) destacam a importância da leitura para as crianças: "...ler, escrever, escutar e expressar-se. Estimula na criança sua criatividade, imaginação e formas de expressão corporal, proporcionando um ambiente de aprendizagem rico em estímulos sensoriais e intelectuais que lhe dá segurança emocional e psicológica e que lhe permite relacionar e criar coletivamente com seus amigos. Além disso, cria-se um hábito de leitura, aproximando o livro da vida;..."

As histórias contadas foram diversas, desde animais, personagens marotos, personagens que fazem rir e chorar, e aquelas histórias que nos fazer viajar na imaginação. Uma das histórias que com certeza foi muito bem aceita pelas crianças, foi "Os três porquinhos" contada numa nova perspectiva pedagógica, nesta única história pude trabalhar as noções e reconhecimentos dos numerais, reconhecimento de nomes das próprias crianças, respeito para com os colegas, valores diversos, formas geométricas e, além disso, fazer desta  história  nossa porta para o mundo encantado, onde nem sempre o lobo é o mau, e que todos podemos brincar e nos fantasiar de animais para esta história se tornar realidade.

Gostaria de agradecer a direção do colégio quando me oportunizou a vivenciar estas e outras experiências que jamais esquecerei, e que quando digo que aprendo sempre todos os anos e dias com as crianças que isso é real, aprendo a ser uma profissional melhor, a amar ainda mais esta profissão, a amar meus alunos e a cada dia apaixonar-me novamente por ser professora de alunos pequenos e crescer com os erros e acertos que sou humana e tenho em minhas mãos o futuro do nosso país.

Deisi Kerlin Berton
Habilitação em Docência na Educação Infantil
Pós graduada em Práticas Pedagógicas na Educação Infantil, Séries Iniciais e Gestão escolar
Professora de Educação Infantil – Jardim I





O professor reflexivo

A educação passa por momentos onde muitos de seus paradigmas são contestados, as certezas são abaladas, as verdades submetidas a novas pesquisas. E há uma grande batalha: erguer a bandeira de uma educação séria e de qualidade, lema que os governantes, educadores, técnicos e especialistas em educação juntamente com os pais precisam abraçar, pois uma das principais exigências para o êxito escolar é aprimorar o conhecimento de maneira a adaptá-lo as necessidades deste novo tempo.

Refletir sobre o ensino atual é analisá-lo por um viés desafiador que requer cada vez mais critérios e cuidados, pois o conhecimento não é estático, mas está em constante evolução assim como a sociedade em que nós estamos inseridos. 

A escola é o lugar em que todas as crianças devem ter as mesmas oportunidades para que possam aprender, construir e atribuir significados aos conteúdos estudados e nessa instituição que os mesmos irão encontrar condições para a apropriação do saber científico modificando e reconstruindo o que já conhecem.
Devemos entender que as crianças têm potencialidades inatas que serão desenvolvidas até a maturidade, tal como a semente que se transforma em árvore.  A inteligência e a compreensão do mundo não começa e nem termina em uma faixa etária determinada, mas sim acontece premiada pelas oportunidades, então aí está a importância de um trabalho didático, coerente e organizado que premie os alunos a sua emancipação.
Portanto, as expectativas da educação para o século XXI trazem para a comunidade escolar a grande responsabilidade de educar para a vida e para uma educação que premie os alunos a sua emancipação. Esse olhar atento, por parte do docente, se faz necessário porque o indivíduo sem interlocutores progride muito devagar. 

Profª Daniela Crestani Reis
Graduada em Matemática
Pós graduada





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